Capitulo V – Ame seu Próximo

Capitulo V – Ame seu Próximo

E Jesus disse-lhes: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:37-39).

Os dois grandes mandamentos do Mestre formam a base de nosso trabalho. No primeiro e maior mandamento somos ensinados que não há nenhum poder separado de Deus. Nossa realização (percepção) deve ser sempre que o Pai dentro de nós, o Infinito Invisível, é nossa vida, nossa Alma, nosso suprimento, nossa fortaleza, e nossa torre alta. O próximo mandamento em importância é “ame o teu próximo como a ti mesmo”, e seu corolário (Verdade que é consequência de outra: o corolário desse governo foi a fome.) que devemos fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós.

O que é o amor no sentido espiritual? O que é o amor o qual é Deus? Quando nos lembramos de como Deus estava com Abraão, com Moisés no deserto, com Jesus, João e Paulo, auxiliando-os, a palavra "amor" assume um novo significado. Vemos que esse amor não é algo distante, nem é algo que pode vir até nós. Ele já é uma parte do nosso ser, já estabelecido dentro de nós, e mais do que isso, é universal e impessoal. Quando esse amor universal e impessoal fluir para fora de nós, começaremos a amar o nosso próximo, porque é impossível sentir esse amor por Deus dentro de nós e não amar o nosso próximo.(Rm 5.5)

Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (I João 4:20).

Deus e o homem são um, e não há nenhuma maneira de amar a Deus sem que um pouco desse amor flua para o nosso próximo.

Vamos entender que qualquer coisa que nos tornamos cientes é o nosso próximo, quer ele apareça, como uma pessoa, lugar ou coisa. Quando vemos Deus como a causa e ao nosso próximo como aquele que existe em Deus e é de Deus (a mesma natureza), então nós estamos amando nosso próximo, quer ele aparece como um amigo, parente, inimigo. Nesse amor, o qual compreende que todos os próximos existem em Deus, derivados da “Deus substância”, descobrimos que cada ideia na consciência toma seu lugar de direito. Aqueles que são uma parte de nossa experiência encontram seu caminho até nós, e aqueles que não fazem parte dela são afastados. Vamos resolver amar o nosso próximo em uma atividade espiritual, contemplando o amor como a substância de tudo o que é, não importando qual forma ele possa ter. Quando nós nos erguemos acima de nosso “sentido humano” para uma dimensão mais alta da vida e compreendemos que nosso próximo é o puro ser espiritual, governado por Deus, nem bom nem mal, nós estamos amando verdadeiramente.

O amor é a lei de Deus. Quando nós estamos em sintonia com o amor divino, amando seja amigo ou inimigo, então o amor é um “ato delicado” que traz a paz. Mas é suave somente enquanto nós estivermos em sintonia com ele. É como a eletricidade. A eletricidade é muito gentil e amável, dando-nos luz, calor, e energia, mas até quando as leis da eletricidade são obedecidas. O minuto que essas leis são violadas ou desrespeitadas, a eletricidade se torna uma “espada de dois gumes”. A lei do amor é tão inexorável como a lei da eletricidade.

Agora vamos ser claros em um ponto: nós não podemos prejudicar ninguém, e ninguém pode nos prejudicar. Ninguém pode nos fazer mal, mas nós fazemos mal a nós mesmos por violar a lei do amor. A penalidade recai sempre sobre aquele que está causando o mal, nunca sobre aquele para quem o mal foi feito. A injustiça que fazemos a outro recai sobre nós mesmos; se roubamos do outro roubamos de nós mesmos. A lei do amor torna inevitável que a pessoa que parece ter sido prejudicada é realmente abençoada. Ela tem uma maior oportunidade de se erguer mais do que nunca, e, geralmente, algum benefício maior vem para ela mais do que ela sonhou ser possível, enquanto que o autor da ação má é assombrado por memórias até que chegue o dia que ele possa perdoar a si mesmo. A prova toda de que isto é verdade está em uma palavra “Eu”. Deus é a nossa verdadeira identidade; a minha e a sua identidade. Deus constitui o meu ser, pois Deus é a minha Vida, minha Alma, meu Espírito, minha Mente e minha Atividade. Deus é o meu Eu. Esse Eu é o único Eu que há – meu Eu e seu Eu. Se eu roubo seu Eu, quem eu estou roubando? Meu Eu. Se eu minto sobre o seu Eu, sobre quem eu estou mentindo? Meu Eu. Se eu engano seu Eu, quem eu estou enganando? Meu Eu. Há somente um Eu, e aquilo que eu faço a outro, eu faço para mim mesmo.

O Mestre ensinou esta lição no capítulo 25 de Mateus, quando ele disse: “em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. O que eu faço de bom para você, eu não estou fazendo para você absolutamente; é para o meu benefício. O que eu faço de mal para você não ferirá você, pois você encontrará uma maneira de se recuperar; a reação cairá sobre mim. Devemos chegar a um lugar onde nós realmente acreditamos e podemos dizer com todo o nosso coração: “há um único Eu.

A injustiça que eu faço para outro eu estou fazendo para mim mesmo. A falta de consideração que eu manifesto a outro eu manifesto a mim mesmo”. Em tal reconhecimento, o verdadeiro significado de fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós é revelado. Deus é o ser individual, o que significa que Deus é o único Ser, e não há nenhuma maneira para qualquer dano ou mal entrar para contaminar a pureza infinita da Alma de Deus, nem nada de mal que possa nos atingir ou que possa nos atar ao mal. Quando o Mestre repetiu a antiga sabedoria: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei vós também a eles, porque esta é a lei e os profetas", ele estava nos dando um princípio. A menos que façamos aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós, nós prejudicaremos não os outros, mas a nós mesmos.

Neste estado atual da consciência humana, é verdade que os maus pensamentos, atos desonestos e palavras impensadas que infligimos aos outros podem prejudicá-los temporariamente, mas sempre no final ele constatará que a lesão não foi nem de longe tão grande para ele quanto foi para nós mesmos. Nos dias que virão, quando os homens reconhecerem a grande verdade que Deus é a individualidade de cada um, o mal que o outro nos dirige nunca nos tocará, mas recairá imediatamente sobre aquele que o enviou. No grau que nós reconhecemos Deus como nosso ser individual, nós perceberemos que nenhuma arma apontada para nós prosperará porque o único Eu é Deus. Não haverá nenhum medo do que o homem possa nos fazer, visto que a nossa individualidade é Deus e, portanto não pode ser prejudicada. Assim que a primeira realização desta verdade vem até nós, nós não nos preocupamos mais com o que o nosso próximo nos faz. Manhã, tarde e noite devemos vigiar nossos pensamentos, nossas palavras e nossos atos para ter certeza de que nós, de nós mesmos, não somos responsáveis por qualquer coisa de natureza negativa que teria repercussões indesejáveis.

Isto não resultará em sermos bons porque tememos as consequências do mal. A revelação de um único Eu é muito mais profunda do que isso: ela nos permite ver que Deus é a nossa verdadeira identidade, e que qualquer coisa de natureza errônea ou negativa que emana de qualquer indivíduo só tem poder na medida em que nós mesmos lhe dermos poder. Por isso, é que tudo o que de bom ou de mal fizermos aos outros, fazemos ao Cristo do nosso próprio ser. "Na medida em que fizestes isso a um dos menores dos meus irmãos, tendes feito isso para mim." Nesta percepção, nós veremos que esta é a verdade acerca de todo homem, e que o único caminho para uma vida bem sucedida e satisfatória é reconhecer nosso próximo como sendo o nosso Eu.

O Mestre nos instruiu especificamente quanto às maneiras pelas quais podemos servir nossos semelhantes. Ele enfatizou a ideia de serviço. Toda a sua missão foi curar o doente, ressuscitar os mortos, e a alimentar os pobres. No momento em que tornarmos a nós mesmos caminho para o fluxo do amor divino, a partir deste momento, começaremos a servir uns aos outros, expressando amor, devoção e partilha, tudo em nome do Pai.

Vamos seguir o exemplo do Mestre e não buscar glórias para nós mesmos. Com Ele, sempre é o Pai Quem faz as obras. Nunca há qualquer espaço para a auto justificação, ou farisaísmo, nem autoglorificação, no desempenho de qualquer tipo de serviço.

O compartilhar com outros não deve ser reduzido à mera filantropia. Algumas pessoas se perguntam por que eles se encontram em carência, quando eles têm sido sempre tão caridosos. Eles constatam dias de escassez porque acreditam que eles deram de suas próprias posses; enquanto que a verdade é que "a terra é do Senhor e toda a sua plenitude". Se nós expressarmos nosso amor por nosso semelhante, percebendo que nós não damos nada de nós mesmos, pois tudo é do Pai, de quem todo dom bom e perfeito vem, vamos, então, ser capazes de dar livremente e descobrir que com todas as nossas doações ainda permanecem doze cestos cheios que sobraram. Acreditar que estamos dando de nossos bens, nosso tempo, ou a nossa força reduz tal ato de dar à mera filantropia e traz consigo nenhuma recompensa. A verdadeira doação vem quando o ato de dar é um reconhecimento de que "a terra é do Senhor", e que se nós dermos de nosso tempo ou esforço, não estamos dando nada nosso, mas do Senhor. Então, estaremos expressando o amor o qual é de Deus.

Assim quando perdoamos, o amor divino está fluindo para fora de nós.

Quando oramos pelos nossos inimigos, estamos amando divinamente. A maior recompensa da oração vem quando aprendemos a reservar períodos específicos todos os dias para orar por aqueles que acintosamente nos usam, nos perseguem, para orar por aqueles que são os nossos inimigos - e não apenas os inimigos pessoais porque há algumas pessoas que não tem inimigos pessoais, mas inimigos religiosos, raciais, ou nacionais. Quando aprendemos a orar, “Pai, perdoa-os; porque eles não sabem o que fazem”. Quando oramos por nossos inimigos, quando oramos para que seus olhos sejam abertos para a verdade, muitas vezes esses inimigos se tornam amigos.

Nós começamos esta prática com nossas relações pessoais. Se há pessoas com quem não estamos em condições harmoniosas, quando nos voltamos para dentro e oramos para que o amor fraterno e a harmonia se estabeleçam entre nós, ao invés de inimigos, entraremos em uma relação de fraternidade espiritual com eles. Nosso relacionamento com todo mundo então conduz a uma harmonia e a uma alegria até então desconhecida. Isso não é possível, tão logo quanto sentirmos antagonismo em relação a alguém. Se estivermos abrigando dentro de nós animosidades pessoais, ou cedendo ao ódio nacional e religioso, preconceito ou intolerância, nossas orações serão inúteis. Devemos ir a Deus com as mãos limpas, devemos abandonar os nossos ressentimentos. Dentro de nós mesmos, nós devemos primeiramente orar a oração do perdão para aqueles que nos tem ofendido, uma vez que eles não sabem o que fazem; e segundo, reconhecer dentro de nós: “eu me encontro num
relacionamento com Deus como filho, e então, eu me encontro num relacionamento com cada homem como irmão”. Quando estabelecemos este estado de pureza dentro de nós, então nós podemos pedir ao Pai:

Dá-me a graça, dá-me entendimento, dá-me paz, dá-me neste dia meu pão de cada dia - dá-me neste dia o pão espiritual, a compreensão espiritual. Dê-me o perdão, mesmo para aquelas ofensas inofensivas que eu involuntariamente cometi . (meditação espontânea do autor).

A pessoa que se volta para dentro de si por luz, por graça, por compreensão, e por perdão nunca falhará em suas orações. A lei de Deus é a lei do amor, a lei de amar os nossos inimigos – não os temendo, nem os odiando, mas amando-os. Não importa o que uma pessoa faça para nós, não vamos contra-atacar. Resistir ao mal, retaliar, ou buscar vingança é reconhecer o mal como realidade. Se resistirmos ao mal, se nos vingarmos ou revidarmos, não estaremos orando por eles, que acintosamente nos usam e nos perseguem.

Como podemos dizer que reconhecemos somente o bem, Deus, como o único poder, se odiamos nosso vizinho ou fazemos mal a alguém? Cristo é a verdadeira identidade e reconhecer uma identidade diferente do Cristo é nos afastarmos da “Cristo-consciência”.

Eu, porém vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vós odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. (Mateus 5:44-45).

Não há outra maneira de ser o Cristo, o Filho de Deus. A Mente de Cristo não tem em si mesma nenhuma crítica, nenhum julgamento, nenhuma condenação, apenas contempla o Cristo de Deus, como a atividade do ser individual, como sua Alma e a minha. Os olhos humanos não compreendem isso, porque, como seres humanos, somos bons e maus, mas espiritualmente, nós somos os filhos de Deus, e através da consciência espiritual, podemos discernir o bem espiritual em cada um. Não há espaço na vida espiritual para perseguição, ódio, julgamento, ou condenação de qualquer pessoas ou grupo de pessoas. Não é apenas inconsistente, mas hipócrita falar sobre o Cristo e o nosso grande amor por Deus em uma só respiração, e, na próxima respiração falar depreciativamente de um vizinho (ou de quem quer que seja) que é de uma raça diferente, credo, nacionalidade, filiação política, ou condição econômica. Não se pode ser o filho de Deus, enquanto perseguimos ou odiamos alguém ou alguma coisa, mas apenas quando vivermos em uma consciência de nenhum julgamento ou condenação.

A interpretação habitual de não julgar é que não devemos julgar o mal de ninguém. Temos de ir muito mais longe do que isso: não ousamos julgar nem o bem de ninguém. Nós devemos ser tão cuidadosos para não chamar alguém “bom” como não devemos chamar a ninguém “mau”. Não devemos rotular alguém ou alguma coisa como má, mas da mesma forma, não devemos rotular alguém ou alguma coisa como boa. O Mestre disse: "Por que me chamas bom? Não há ninguém bom exceto um, o qual é Deus." É o cúmulo de o egoísmo dizer: "Eu sou bom, eu tenho entendimento, eu sou moral, eu sou generoso, eu sou benevolente". Se algumas qualidades do bem são manifestadas através de nós, não vamos nos chamar de bom, mas reconhecer estas qualidades como atividade de Deus. “Filho tu estás sempre Comigo, e tudo o que Eu tenho é teu”. Todo o bem do Pai é manifestado através de mim.

Um dos princípios básicos do Caminho Infinito é que uma humanidade boa não é suficiente para garantir a nossa entrada no reino espiritual, nem para nos conduzir à unidade com a lei cósmica. É, sem dúvida, melhor ser um bom ser humano do que um mau, assim como é melhor ser um ser humano saudável do que doente, mas alcançar a saúde ou alcançar a bondade (benevolência, mansidão, afabilidade), em e por si mesma, não é vida espiritual. A Vida espiritual vem somente quando nós nos erguemos acima do sentido humano de bem e mal: “não há bons seres humanos e nem maus. Cristo é a única identidade”. Então vamos olhar o mundo e ver nem homens e mulheres bons e nem homens e mulheres maus, mas reconhecer somente o Cristo como a realidade do ser.

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta. (Mateus 5:23-24).

Se estivermos mantendo alguém em condenação como um ser humano, bom ou ruim, justo ou injusto, não estaremos em paz com nosso irmão e não estaremos prontos para a oração de comunhão com o Infinito. Nós nos ergueremos acima da justiça dos escribas e fariseus só quando pararmos de ver o bem e mal, e de ostentar a bondade, como se qualquer um de nós pudesse ser bom. A bondade é uma qualidade e atividade de Deus somente, e porque é de Deus é universal.
                                      
Nunca vamos aceitar um ser humano em nossa consciência que precisa de cura, emprego, ou enriquecimento, porque se o fizermos, somos seu inimigo em vez de amigo. Se houver qualquer homem, mulher ou criança que acreditamos estar doente, pecando, ou morrendo, não vamos fazer nenhuma oração até que tenhamos feito as pazes com o irmão. A paz que devemos fazer com o irmão é pedir perdão por cometer o erro de julgá-lo como um indivíduo porque todo mundo é Deus em expressão. Tudo é Deus manifestado. Somente Deus constitui este universo; Deus constitui a vida, a mente, e a Alma de todo indivíduo.

“Tu não deves levantar falso testemunho contra o teu próximo” tem uma conotação mais ampla do que meramente espalharmos rumores ou cedermos em fofocas acerca de nosso próximo. Nós não estamos mantendo o nosso próximo na condição humana. Se dissermos: "Eu tenho um bom vizinho", estamos dando falso testemunho contra ele, tanto como se disséssemos: "Eu tenho um mau vizinho”, porque estamos reconhecendo um estado de humanidade, às vezes bom e às vezes ruim, mas nunca espiritual. Dar falso testemunho contra o nossa próximo é declarar que ele é “humano”, que ele é finito, que ele tem falhado, que ele é algo menos do que o verdadeiro Filho de Deus. Todas as vezes que reconhecermos “humanidade”, violamos a lei cósmica. Todas as vezes que reconhecermos o nosso próximo como pecador, doente, pobre ou morto, todas as vezes que o reconhecermos como outro que não o Filho de Deus, estaremos dando falso testemunho contra o nosso próximo.

Na violação dessa lei cósmica, trazemos sobre nós a nossa própria punição. Deus não nos pune. Nós punimos a nós mesmos porque se eu disser que você é pobre, eu praticamente estou dizendo que eu sou pobre. Há apenas um Eu e uma individualidade; seja qual for a verdade que eu sei sobre você é a verdade sobre mim. Se eu aceitar a crença da pobreza no mundo, esta crença reage sobre mim. Se eu disser que você está doente ou que você não é gentil, eu estou aceitando uma qualidade separada de Deus, uma atividade à parte de Deus, e dessa forma estou me condenando porque há apenas um EU. Em última análise, eu me condeno por dar falso testemunho contra o meu próximo e eu sou o único que sofre as consequências.

A única maneira de evitar o falso testemunho contra o nosso próximo é perceber que o Cristo é o nosso próximo, que o nosso próximo é um ser espiritual, o Filho de Deus, assim como nós somos. Ele pode não saber isto, nós podemos não conhecer isto, mas a verdade é: eu sou Espírito, eu sou Alma, eu sou a Consciência, eu sou Deus manifesto - e assim ele é, seja ele bom ou mau, amigo ou inimigo, próximo da porta ou através dos mares.

No Sermão da Montanha, o Mestre nos deus um guia e um código de conduta para seguirmos enquanto desenvolvemos (expandimos) a consciência espiritual. O Caminho Infinito enfatiza valores espirituais, um código de conduta espiritual, o qual automaticamente resulta em uma “humanidade” boa. Humanidade boa é uma consequência natural da identificação espiritual. Seria difícil compreender que o Cristo é a Alma e a Vida do ser individual, e depois discutir com o nosso próximo ou difamá-lo. Nós colocamos a nossa fé, confiança, e convicção no Invisível Infinito, e não levamos em consideração as circunstâncias e condições humanas. Então, quando nos chegam circunstâncias ou condições humanas, podemos vê-las em sua verdadeira relação. Quando dizemos, "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", não estamos falando do amor humano, do afeto ou afabilidade, estamos mantendo nosso próximo na identidade espiritual e, então, nós veremos o efeito dessa correta identificação na cena humana.

Muitas vezes encontramos dificuldades para amar nosso próximo porque acreditamos que ele está entre nós e o nosso bem. Deixe-me assegurar a você que isto está longe da verdade. Nenhuma influência externa para o bem ou para o mal age sobre nós. Nós mesmos asseguramos o nosso bem. Compreender o total significado disto requer uma transição na consciência. Como seres humanos pensamos que há aqueles indivíduos no mundo que podem se quisessem, ser bons para nós, ou pensamos que há alguns que são uma influência para o mal, para a ofensa ou destruição. Como isso pode ser verdade, se Deus é a única influência na nossa vida - Deus, que está "mais perto...do que a respiração, e mais próximo do que mãos e pés?” A única influência é a do Pai interior, a qual é sempre boa. "Tu não poderias ter nenhum poder contra mim, se não te fosse dado do alto".

Quando percebemos que a nossa vida se desenrola a partir do nosso próprio ser, chegamos à conclusão de que ninguém na terra jamais nos machucou, e ninguém na terra jamais nos ajudou. Toda dor que vem em nossa experiência
tem sido o resultado direto de nossa incapacidade de ver este universo como espiritual. Olhamos para ele com elogio ou condenação, e não importa o que seja trazemos uma penalidade sobre nós mesmos. Se olharmos para trás ao longo dos anos, poderíamos quase esboçar as razões para cada pedaço de discórdia que entra em nossa experiência. Em todos os casos, é a mesma coisa - sempre porque vimos alguém ou algo como não espiritual.

Ninguém pode nos beneficiar; ninguém pode nos prejudicar. É o que sai de nós que retorna para nós abençoando ou condenando-nos. Criamos o bem e criamos o mal. Criamos o nosso próprio bem e criamos o nosso próprio mal. Deus nada faz. Deus apenas É. Deus é um princípio de amor. Se formos um com esse princípio, então vamos trazer o bem em nossa experiência, mas se não formos um com esse princípio, nós traremos o mal em nossa experiência. O que quer que esteja fluindo para fora de nossa consciência, aquilo que está indo em segredo, está sendo mostrado para o mundo em manifestação exterior.

Tudo que emana de Deus na consciência do homem, individualmente ou coletivamente, é poder. O que é aquilo que emana de Deus e opera na consciência do homem senão o amor, a verdade, completude, totalidade, perfeição – todas as qualidades do Cristo? Porque há somente um único Deus, um Poder Infinito, o amor deve ser a emoção controladora nos corações e almas de cada pessoa na face do globo.

Agora em contraste a isso, são os outros pensamentos de medo, dúvida, ódio, ciúme, inveja, e animalidade, os quais são, provavelmente, predominantes na consciência de muitos dos povos do mundo. Nós, como buscadores da verdade, pertencemos a uma pequena minoria daqueles que receberam a “dádiva da compreensão” que os maus pensamentos dos homens não são poder; eles não têm controle sobre nós. Nem todos os pensamentos maus ou falsos na Terra tem qualquer poder sobre você ou sobre mim quando entendemos que o amor é a única força. Não há poder no ódio; não há poder na animosidade; não há poder no ressentimento, luxúria, ganância, ou ciúme.

Há poucas pessoas no mundo que são capazes de aceitar que o amor é o único poder e que estão dispostos a se “tornarem como uma criancinha”. Esses que aceitam esse ensinamento básico do Mestre, porém, são aqueles de quem ele disse:

... Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve.

... Bem-aventurados os olhos que veem o que vós vedes;

Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.(Lucas 10;21,23-24) Uma vez que aceitamos este importante ensinamento do Mestre e os nossos olhos veem além das aparências, vamos conscientemente perceber diariamente que cada pessoa no mundo tem o poder de amor do Alto, e que o amor em sua consciência é o único poder, um poder bom para ela, para mim, e para você, mas que o mal no pensamento humano, qualquer que seja a forma que toma de ganância, inveja, luxúria, ambição, não é poder, não é para ser temido ou odiado.

Nosso método de amar nosso irmão como a nós mesmos está nesta realização (percepção): O bem em nosso irmão é de Deus e é poder, o mal em nosso irmão não é poder, nenhum poder contra nós, e, em última análise, nem mesmo poder contra ele, uma vez que ele desperte para a verdade. Amar nosso irmão significa conhecer a verdade sobre ele: saber que “aquilo” nele, o qual é de Deus é poder e “aquilo” nele, o qual não é de Deus, não é poder. Então nós estamos verdadeiramente amando o nosso irmão. Séculos de ensinamento ortodoxo têm incutido em todos os povos do mundo um sentimento de separação para que eles desenvolvam interesses distintos e separados um do outro e
também do mundo em geral. Quando nós dominarmos o princípio da unidade, este princípio torna-se uma convicção profunda dentro de nós em que nesta unidade, o leão e o cordeiro podem se deitar juntos.

Isto é provado ser verdade através de uma compreensão do correto significado da palavra “EU”. Assim que atingirmos a primeira percepção da verdade que o Eu de mim é o Eu de você, que a minha verdadeira Identidade é a sua verdadeira Identidade, então veremos porque não temos interesses separados um do outro. Não haveria guerras, nem conflitos de qualquer natureza, se apenas pudesse ficar claro que o ser verdadeiro de todos no universo é o Único Deus, o Cristo, Única Alma, e o Único Espírito. Quantos benefícios uma pessoa beneficia a outra por causa desta unidade.

Nesta unidade espiritual, nós encontramos nossa paz uns com os outros. Se experimentarmos com alguém observaremos rapidamente como isto é verdade. Quando formos ao mercado, perceberemos que todos que encontramos é “este” mesmo Um que somos, que a mesma Vida o anima, a mesma Alma, o mesmo amor, a mesma alegria, a mesma paz, o mesmo desejo para o bem. Em outras palavras, o mesmo Deus está entronizado com todos aqueles com quem entramos em contato. Eles não podem, neste momento, estar consciente desta Presença divina dentro do seu ser, mas eles vão responder quando nós A (Presença) reconhecermos neles. No mundo dos negócios, seja entre os nossos colegas de trabalho, nossos empregadores, ou nossos funcionários, seja entre os concorrentes, ou seja, na chefia e na mão-de-obra, nós mantemos esta atitude de reconhecimento:

Eu sou você. Meu interesse é seu interesse; seu interesse é o meu interesse, uma vez que a Única Vida anima o nosso ser, a Única Alma - o Único Espírito de Deus. Qualquer coisa que fazemos um para o outro, fazemos por causa do princípio que nos une. (meditação espontânea do autor).

A diferença é imediatamente perceptível em nossas relações de negócios, nas nossas relações com os comerciantes, e nas nossas relações com a comunidade - em última instância, nas relações nacionais e internacionais. No momento em que abandonarmos o nosso sentido humano de separação, este princípio torna-se eficaz em nossa experiência. Ele nunca falhou e nunca falhará em trazer ricos frutos.

Todos estão aqui na terra apenas para um propósito, e este propósito é para manifestar a glória de Deus, a divindade e a totalidade de Deus. Nessa realização, seremos levados em contato apenas com aqueles que são uma bênção para nós, como nós somos uma bênção para eles.

No momento em que olharmos para uma pessoa para o nosso bem, podemos encontrar bem hoje e mal amanhã. O bem espiritual pode vir através de você para mim do Pai, mas não virá de você. Você não pode ser a fonte de todo o bem para mim, mas o Pai pode usá-lo como um instrumento para o Seu bem fluir através de você para mim. Assim, quando nós olhamos para nossos amigos ou nossa família nesta luz, eles se tornam instrumentos de Deus, do Bem de Deus o qual nos alcança através deles. Ficamos debaixo da graça tomando a posição que todos os bens emanam do Pai interior. Pode parecer que esse bem vem através de incontáveis pessoas diferentes, mas ele é uma emanação do bem, de Deus de dentro de nós.

Qual é o princípio? “Ame o teu próximo como a ti mesmo”. Na obediência a este princípio amamos o amigo e o inimigo; nós oramos por nossos inimigos; nós perdoamos setenta vezes sete vezes; nós não damos falso testemunho contra o nosso próximo mantendo-o em condenação; nós não julgamos tanto o bem quanto o mal, mas vemos através de toda a aparência a Cristo-identidade – o Único Eu o qual é seu Eu e meu Eu. Então pode-se dizer de nós:

... Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e de demos de beber?

E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos.

E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.(Mateus 25:34-40).

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